quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Histórias Fictícias - O Velório do Boi

Histórias fictícias, contos de ficção, O Velório do Boi. Relato de uma festa de estudantes, em que um boi inteiro foi assado num rolete.



O rolete, se você não sabe, é uma peça gigante capaz de suportar o peso de um boi inteiro. Ele fica rolando durante o tempo todo, com o boi espetado nele, do mesmo modo como vemos frango assado no espeto, dentro da máquina de assar frango.

Só que o frango é pequeno. Fácil de colocar no espeto. E fácil de assar também. Agora imagine um boi inteiro!

Histórias Fictícias - O Velório do Boi


Minha curiosidade foi despertada logo cedo, quando passou por mim um carro com o vidro traseiro escrito VELÓRIO DO BOI e umas letrinhas mais que não consegui entender o que era. “O que vem a ser isso?”, pensei. Seria uma brincadeira macabra?

Mais tarde, quando conversava com Durval, motorista de táxi do centro, vi um Corsa estacionado na calçada, continha a mesma inscrição.

- Já é o segundo carro que vejo hoje escrito aquilo – disse, apontando o carro, para Durval. - Sabe o que significa?

Durval olhou para o carro, pensou, pensou....

- Olha se eu te disser que não sei é porque não sei mesmo! Sei lá que troço é esse!

No Corsa, além de VELÓRIO DO BOI havia uma data, que me aguçou ainda mais a curiosidade.

Nisso passou outro carro contendo a mesmíssima frase. Como Durval, que geralmente sabe de tudo, não sabia, concluí que só podia ser uma festa estudantil. Ou então uma propaganda. Mas propaganda do quê? E que tipo de velório é esse que tem data certa para acontecer? Minha mente me levou ao “Festim Diabólico”, de Alfred Hitchcock.

Seria uma dessas brincadeiras tipo “Farra do Boi”, em que os participantes perseguem um boi previamente escolhido até matá-lo? E altas horas da noite, feitos canibais degustam, ou melhor, devoram  a carne ainda crua do coitado, que ainda nem morreu? Argh!

“Acho que vou esquecer esse assunto”, pensei. Porém, mais tarde, ao folhear um jornal, li na coluna de eventos a palavra BARBECUE e mais adiante: “O boi morreu... E daí? Você vai ficar com pena dele?”. E informavam: “O Velório será no dia tal, na Rua Tal.”

“Ah, então é isso! É um convite!” E ri por ter esclarecido o assunto. Mas continuei achando que seria um festim diabólico, daqueles em que os assassinos comemoram a vitória diante do morto. E ainda degustam a carne dele, neste caso, do boi. Coitado do boi.

Mas quem iria participar de um ritual macabro desses? E que boi seria escolhido para tão estranho ritual? O mais valente ou o mais manso? Não sei, talvez o mais jovem, por ter carne tenra e suculenta.

Você sabe o que é Barbecue? Não? Eu também não sabia. Consultei o dicionário: “Barbecue s. m. festim (em que se come carne assada)”.

Adiante explicavam que o grupo não-sei-de-onde promoveria uma festa inédita na cidade, em que um  boi de 20 arrobas seria assado inteirinho num rolete, na noite de sábado, para ser traçado no domingo. Você consegue visualizar a cena? Eu a visualizei assim:

Altas horas da noite, todos os jovens participantes já bêbados, cantarolam uma canção popular - das que costumam ser cantadas por bêbados - enquanto observam o boi chiando no braseiro. Não fazem nenhuma oração. E fiquei imaginando o tamanho ou a grossura do rolete capaz de suportar um boi. E o tamanho do braseiro necessário para assá-lo.

Enquanto o boi vai rolando, rolando... sem nenhum remorso dos seus veladores... De vez em quando alguém vai até ele e agita o fogo. Aí, em vez de lágrima, borrifa água no coitado, que solta uma fumaça com cheiro de carne queimada. Fagulhas se elevam no ar... Você sabe quantos quilos têm 20 arrobas?

Fiz os cálculos, como cada arroba tem aproximadamente 14,7 kg, 20 arrobas têm aproximadamente 20 x 14,7 = 294 kg, contando com tudo o que tem dentro. Será que assam o boi com cabeça, couro e tudo? Não sei. Também, como cada kg tem 1000 g, 294 kg tem 294000 g. Como cada participante consome em média 300 g, então 294000 : 300 = 980. Logo, 980 pessoas poderiam comer desse boi.

O Velório do Boi
Autor: José Guimarães

Continua nos próximos posts do blog Mokolóton Extraterrestre. Aguarde.

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